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Futebol Paraibano

Driblando preconceitos! Desportista de Queimadas anuncia primeira peneira para formação de equipe gay na cidade 

Adilson Tavares, de 38 anos, conta que a ideia surgiu a partir de uma roda de conversa com uns amigos e também em discussões realizadas em grupo de WhatsApp.

Rafael Costa

Rafael Costa Graduando em Jornalismo pela Universidade Estadual da Paraíba (UEPB).

22/02/2021 16h14Atualizado há 1 semana
Por: Da Redação
Fonte: Rafael Costa
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Foto: Rafael Costa
Foto: Rafael Costa

Que o futebol é tido como paixão nacional isso não é segredo para ninguém, mas apesar de ser a principal modalidade esportiva no Brasil, o futebol ainda é um meio muito pouco inclusivo. Foi através de questionamentos como este que um grupo de amigos se reuniram para formar a primeira equipe assumidamente gay de futebol na cidade de Queimadas, município brasileiro localizado na Região Metropolitana de Campina Grande, estado da Paraíba.

Foto: DivulgaçãoAdilson Tavares, de 38 anos, conta que a ideia surgiu a partir de uma roda de conversa com uns amigos e também em discussões realizadas em grupo de whatsapp, onde eles debatiam sobre os esportes e como a homofobia e o machismo acaba pregando uma intolerância e uma exclusão exacerbada que não condiz com o que o esporte sempre pregou ao longo dos anos que foi a inclusão e a diversidade.

A carência de sentir-se representado em um meio, que em sua grande maioria emprega o machismo, fez com que Adilson criasse com alguns amigos um time de futebol para que eles pudessem praticar a modalidade sem se preocupar com suas orientações sexuais.

A cidade de Queimadas tem como principal representante esportivo a Sociedade Esportiva Queimadense, agremiação esportiva que foi fundada em novembro de 2003, mesmo com uma equipe com tamanha expressividade no cenário esportivo do agreste paraibano, o futebol ao contrário do que prega os seus pilares primordiais, abraça alguns e excluem outros, algo que incomodou o morador do Sítio Verdes,“a gente quer dá um drible no preconceito, esse é o nosso lema. Seremos o primeiro clube de futebol gay da Paraíba e de Queimadas”, conta euforicamente Adilson que já conta com 8 jogadores em sua equipe.

Marco na cidade de Queimadas e mais um passo para driblar o preconceito no futebol.

Apesar de ser um marco na história da cidade agrestina, a Paraíba já conta com um clube assumidamente de gays, criado no ano de 2019 o Dandara FC LGBTQ+ carrega em seu lema a luta contra o preconceito e a busca por integração no esporte. Diferente do Dandara, Adilson conta que a equipe formada em Queimadas contará apenas com participantes homossexuais e bissexuais por enquanto, futuramente ele planeja abrir mais vagas para que os demais possam também se sentir representados, "É uma forma de valorizar o esporte e também levantar uma bandeira que pouco é representada”, nos conta o presidente do clube e deve sediar seus treinamentos e jogos na cidade Campina Grande e Queimadas. 

Ainda sem nome definido, Adilson ainda precisa vencer umas das principais barreiras que a modalidade enfrenta em sua luta por direitos e espaço no cenário esportivo: recursos financeiros para manter uma equipe de futebol amadora

O projeto está no início é verdade, mas, não o impede de sonhar grande e ele pretende pedir apoio vindo de patrocinadores e também deve procurar a prefeitura de Queimadas para conversar a respeito de como a modalidade e a equipe podem angariar recursos para manter-se no cenário esportivo da cidade.  

Apoio da população e luta contra o preconceito  

O anúncio da formação do elenco do clube veio através das redes sociais. Com a repercussão, em sua grande maioria positiva, houveram também aqueles que desdenharam da ideia e também atacaram o anúncio de forma preconceituosa e grosseira. Mesmo com tudo isso. Adilson se mostrou feliz com toda a repercussão envolvida no anúncio da equipe, “houve uma grande comoção aqui em queimadas, as pessoas abraçaram a ideia. recebi muitas mensagens de apoio”, conta.

A repercussão foi tamanha que o time já tem até um técnico definido. Adilson conta que recebeu o convite do técnico, Manoel Messias Cândido, que que se prontificou em treinar a equipe, com isso, Adilson que é o presidente da agremiação diz que se for preciso vestirá a camisa do time não só fora das quatro linhas mas também dentro de campo para ajudar os seus companheiros de time.

A ideia de apenas convidar pessoas da comunidade LGBTQ+ para jogar, foi um dos obstáculos a serem superados. A necessidade de optar apenas por jogadores com essa orientação se deu pelo preconceito que eles sofriam em algumas peladas de futebol ao qual jogavam em suas cidades. Um dos participantes, que resolveu não se identificar na matéria, conta que já sofreu preconceito em peladas de futebol e isso fez com que ele se afastasse um pouco da modalidade e deixando de lado o seu amor pelo esporte. 

Ao ser questionado se sente medo de represálias vinda de outros clubes, cartoleiros ou até mesmo de peladeiros, Adilson mostra-se empenhado em enfrentar o preconceito, “Não! Estamos preparados para lidar com essas situações. Estamos preparados para revidar qualquer situação homofóbica que possa tentar agredir nossa imagem e nos agredir como seres humanos”, e pontua, “nós não vamos abaixar as nossas cabeças para homofobia, para pessoas mal educadas e para pessoas preconceituosas,” conclui.  

Seja o Dandara FC LGBTQ+ ou time de futebol Queimadense o importante é que a coletividade que o futebol sempre nos ensinou possa andar em harmonia com a nossa sociedade que luta constantemente contra o preconceito.

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